Blog de Biologia Celular do curso de Ciências Biológicas - Bacharelado da Universidade Estadual de Ponta Grossa
sábado, 19 de maio de 2012
quinta-feira, 17 de maio de 2012
Cientistas fabricam vasos sanguíneos usando células da pele
Uma empresa americana chamada
Cytograft desenvolveu uma técnica que usa células da pele para criar vasos
sanguíneos, que poderiam substituir partes danificadas do nosso sistema
circulatório. E o mais bacana é que a tecnologia já foi testada (e funciona
bem) em pacientes humanos.
A célula de pele “original” não
precisa nem ser da pessoa que irá receber o tecido pronto, o que diminui custos
e tempo de produção. Afinal, os vasos criados artificialmente podem ser
estocados, esperando por seu usuário.
A produção começa ao serem
extraídos fibroblastos das células da pele, fazendo com que elas crescessem em
forma de pequenos tecidos, enrolavam essa “trama” e esperavam até que ela
ficasse nesse formato. Depois é só fazer o implante.
Primeiramente, os vasos foram
testados em pacientes de diálise, mas espera-se que eles possam ser usados em
bebês com defeitos congênitos de coração e pacientes que usam marca-passo.
Através
dessa técnica, cientistas esperam produzir, também, outros tipos de tecido,
tendo “estoques de órgãos” disponíveis para o implante. Como o tecido é
completamente biológico e tratado, a chance de rejeição do organismo é mínima.
Fonte: . http://revistagalileu.globo.com/Revista/Common/1,,EMI303682-17770,00.html
AUTOR DA POSTAGEM - FELIPE
AUGUSTO B. BISCAIA
quarta-feira, 2 de maio de 2012
Seres diminutos, enorme flagelo
Os vírus demoraram a ser descobertos e conhecidos, de tão
diminutos. Há algumas décadas, esses seres sequer podiam ser visualizados,
mesmo pelos microscópios mais potentes. Eles eram considerados por muitos
cientistas como partículas inanimadas incapazes de realizar um dos atributos
básicos da vida: a capacidade de se reproduzir de forma independente.
Entretanto, os aspectos da biologia e da evolução desses
seres, aliados as estratégias que eles utilizam para subverter os mecanismos de
defesa de nosso corpo são alguns dos temas mais fascinantes da biologia
moderna. Além disso, algumas das doenças causadas por esses agentes infecciosos
– as chamadas viroses emergentes – representam uma fonte de enorme inquietação
para a medicina atual.
Em latim, a palavra vírus significa veneno. Antes da
primeira visualização desses agentes infecciosos, acreditava-se que as doenças
transmitidas por eles, conhecidas como viroses, eram causadas por venenos
provenientes de algum ser vivo. Dessa forma, tentava-se dar uma explicação
convincente para a incapacidade que se tinha na época de visualizar os vírus. A
hipótese explicaria ainda o fato de certas doenças continuarem a ser
transmitidas mesmo quando fluidos provenientes de doentes eram passados através
de filtros de porcelana com poros capazes de reter bactérias, os menores
organismos conhecidos na época.
Cada partícula viral, também conhecida como vírion, alcança,
em média, apenas algumas dezenas de nanômetros (a bilionésima parte de um
metro) e é de constituição simples. Os vírions são formados por apenas uma
molécula de acido nucléico – que pode ser o DNA ou o RNA, mas nunca ambos – e
por um envoltório protéico denominado capsídeo. Sob esse envoltório pode ainda
estar presente um revestimento lipídico adquirido a partir da membrana
plasmática da célula parasitada.
Em sua forma extracelular, os vírions podem permanecer
inertes por dezenas ou mesmo centenas de anos. A simplicidade e elegância
estrutural, associadas a uma elevada capacidade reprodutiva baseada em uma
série de truques engenhosos voltados para ludibriar as defesas imunes e
intracelulares, fazem com que os vírus se convertam em agentes infecciosos
tremendamente eficientes.
Invasão e reprodução
Dessa forma, as células têm seu metabolismo “escravizado” e
deixam de produzir as moléculas necessárias para a sua sobrevivência,
dedicando-se apenas à produção de novos vírions. Em algumas ocasiões, contudo,
o ácido nucléico viral poderá ser incorporado ao genoma da célula parasitada e
ali permanecer de forma silenciosa, multiplicando-se juntamente com a sua
hospedeira (ciclo lisogênico) até que condições favoráveis sejam alcançadas e
novos vírions possam ser produzidos.
Contudo, em alguns casos, a transição entre os ciclos
lisogênico e lítico jamais ocorre e o material genético dos vírions permanece
incorporado de forma permanente ao genoma da célula parasitada. Genes de origem
viral têm sido encontrados em todos os organismos vivos e acredita-se que a
presença de alguns desses pode ser benéfica para seus portadores. Nos seres
humanos, por exemplo, crê-se que o gene da ptialina, uma enzima salivar
relacionada com a digestão de carboidratos, seja regulado por uma seqüência
gênica de origem viral.
Durante a sua reprodução e subseqüente deslocamento de uma
célula para outra, os vírions podem também levar consigo trechos do DNA das
células parasitadas, contribuindo assim para um aumento da diversidade genética
dos organismos hospedeiros.
Devido às suas características únicas, esses seres são hoje
importante instrumento biotecnológico empregado para a introdução de genes em células. Para isso,
essa metodologia emprega a capacidade dos vírions de infectar apenas um tipo
celular exclusivo após reconhecerem receptores específicos na membrana
plasmática.
Dessa forma, esses agentes infecciosos podem se constituir
no futuro em importantes aliados da terapia genética associada com o combate de
doenças humanas como a artrite, o lúpus e o câncer. Pesquisas têm, por exemplo,
empregado o vírus do herpes simples para que células tumorais sejam
sensibilizadas e respondam de forma melhor ao tratamento com drogas
anticarcinogênicas. Para que isso ocorra, genes associados com a reprodução do
vírus foram substituídos por genes que ativam drogas tóxicas para as células do
tumor.
Viroses emergentes
Contudo, tradicionalmente, os vírus estão associados com
muitas enfermidades humanas como gripe, sarampo, hepatite, herpes, rubéola,
varíola, febre amarela, caxumba e poliomielite. Além delas, há alguns anos
outras doenças têm preocupado as autoridades sanitárias de todo o mundo: são as
viroses emergentes, causadas por vírus que surgem como importante problema de
saúde.
As hantaviroses são enfermidades agudas que podem se
apresentar sob a forma de febre hemorrágica com síndrome renal ou pulmonar. A
doença é transmitida de forma sazonal por aerossóis disseminados pela urina de
roedores silvestres portadores do vírus. Casos de hantavirose têm sido
relatados em estados como Minas Gerais, Goiás e São Paulo, levando à morte
cerca de 5% dos pacientes.
Já o vírus Ebola foi isolado em 1976, após uma epidemia de
febre hemorrágica em vilas do noroeste do Zaire (África), próximo ao rio Ebola.
Esse vírus está associado com um quadro de febre hemorrágica extremamente
letal, que acomete as células hepáticas e o sistema retículo-endotelial. Até o
presente, quatro epidemias de febre hemorrágica causadas pelo vírus Ebola
ocorreram no Zaire e no Sudão, afetando mais de 500 pessoas com um índice de
mortalidade de mais de 60%.
SARS
Outra virose emergente que andou ocupando a
primeira página dos jornais e os noticiários da TV é a SARS (sigla em inglês
para síndrome respiratória aguda grave). Essa doença é causada por um
coronavírus e foi descoberta inicialmente em novembro de 2002 na província
Guangdong, no sul da China. A SARS propagou-se por diversos países, vitimando
cerca de 780 pessoas.
Apesar da taxa de mortalidade ser de 9,6%, similar à da
febre amarela, por exemplo, a SARS por ser transmitida diretamente de um
indivíduo para outro, representa um risco maior para a saúde mundial do que
infecções transmitidas por vetores e restritas a certas regiões de nosso
planeta. Alem disso, como os sintomas da SARS são bastante similares aos da
gripe, essa virose pode ser confundida com um simples resfriado.
Devido aos enormes riscos associados com o seu contágio, a
Organização Mundial da Saúde lançou em novembro de 2003 um alerta mundial e
tomou medidas para frear a sua disseminação. Essas medidas têm se mostrado
eficientes e, apesar de casos terem sido registrados em dezenas de países,
atualmente essa virose está sob controle.
Outra virose, foco de imensa preocupação para o sistema de
saúde brasileiro, é a dengue. Essa doença é causada por quatro tipos
imunológicos similares de arbovírus da família dos flavivírus que têm se
disseminado pelas zonas urbanas do Brasil devido à proliferação de criadouros
de seus vetores, os pernilongos Aedes aegypti (e raramente Aedes albopictus).
O termo dengue deriva-se da expressão ki dengu pepo , do
dialeto africano swahili, que descreve os ataques causados por maus espíritos e
foi inicialmente empregado para designar a enfermidade que acometeu alguns
ingleses em uma epidemia nas Índias Ocidentais Espanholas em 1927-1928.
Acredita-se que a dengue tenha sido trazida para o continente americano pelos
colonizadores europeus, mas não é possível afirmar que as epidemias foram
causadas pelos vírus da dengue, pois seus sintomas são similares aos de
infecções como a febre amarela.
Atualmente, a dengue é a arbovirose mais comum que atinge o
homem, sendo responsável por cerca de 100 milhões de casos por ano e colocando
em risco, talvez, uma população de 2,5 a 3 bilhões de pessoas. A dengue
hemorrágica e a síndrome de choque da dengue atingem pelo menos 500 mil pessoas
por ano e são responsáveis por taxa de mortalidade de até 10% para pacientes
hospitalizados e 30% para pacientes não tratados.
A dengue e as outras viroses emergentes são fruto do
desequilíbrio ambiental associado com a ausência de vontade política para se
promover medidas de saneamento básico e controle de poluição. Enquanto nossos
políticos estiverem mais interessados em se autopromover em vez de se preocupar
com a saúde da população, estaremos à mercê de flagelos como as viroses
emergentes.
AUTORA DA POSTAGEM: Danielly Xavier
sábado, 7 de abril de 2012
Nanopartículas anticâncer são usadas com sucesso em teste nos EUA
Pacientes com câncer avançado mostraram resultados positivos em primeira fase de pesquisa que usa nanotecnologia para tentar combater a doença
Células cancerígenas: nanopartículas agirão como mísseis
teleguiados, levando o medicamento contra o câncer somente às células
doentes
(Getty Images).
O primeiro teste clínico com nanopartículas
programadas para um tratamento anticâncer mais concentrado e com menos
efeitos colaterais do que a quimioterapia teve resultados positivos,
segundo estudo publicado nesta semana, nos Estados Unidos. Parte dos
participantes do estudo, que sofriam de câncer em etágios avançados,
tiveram o crescimento do seus tumores estabilizados ou reduzidos. O
trabalho foi apresentado na conferência anual da Associação Americana de
Pesquisas sobre o Câncer, realizada em Chicago, e publicado
simultaneamente na versão online da revista médica americana Science Translational Medicine.
"Esta técnica pode revolucionar potencialmente o tratamento do câncer",
afirmou Omid Farokhzad, médico do Hospital Brigham de Boston, professor
da Universidade de Harvard e um dos principais autores do estudo.
A nanopartícula, chamada BIND-014, foi desenvolvida pela companhia BIND
Biosciences, com sede em Massachusetts. "Este é o primeiro tratamento
deste tipo utilizado em humanos para qualquer tipo de doença", disse
Farokhzad. "A BIND-014 mostrou pela primeira vez que é possível produzir
nanomedicamentos programáveis capazes de concentrar efeitos
terapêuticos multiplicados diretamente no coração da doença", explicou o
doutor Farokhzad. O princípio ativo usado foi o docetaxel,
comercializado com o nome de Taxotere.
A pesquisa — O teste clínico de fase 1 do estudo foi
feito com um pequeno grupo de 17 pacientes que sofriam de diferentes
tipos de câncer em estágio avançado. O teste provou ser seguro e
produziu efeitos em "praticamente todos os participantes", mas
especialmente em seis deles, nos quais os efeitos foram mais destacados.
Neste grupo, uma paciente teve redução do tumor no colo do útero,
enquanto outros cinco tiveram seus cânceres (de pâncreas, ânus, cólon,
vias biliares e garganta) estabilizados.
Este nanotratamento produziu efeitos favoráveis na luta contra o
câncer, inclusive com doses ínfimas de anticancerígenos, que
representavam até 20% do que normalmente se prescreve em quimioterapia
tradicional por via oral ou em injeções. "Se tentássemos obter essa
concentração em um tratamento convencional, mataríamos o paciente", diz
Farokhzad. Os pesquisadores explicam que isso se deve ao fato de que as
nanopartículas podem depositar no local exato onde se encontra o tumor
concentrações de medicamenos até dez vezes maiores.
Os pesquisadores se disseram animados com os resultados porque as doses
foram baixas, o que indica que no futuro os médicos poderiam encontrar
uma forma de aplicar a quimioterapia em cânceres, direcionando o
medicamento ao próprio tumor e evitando seus efeitos colaterais.
Opinião do especialista
Artur Katz - coordenador de Oncologia Clinica do Centro de Oncologia do Hospital Sírio-Libanês.
"Tratamentos anticâncer com nanotecnologia fariam com que a droga para
a doença ficasse dentro de uma partícula. Essa se ligaria a um tipo de
proteína de uma célula cancerígena e, só então, liberaria a substância
do medicamento. Como um míssel teleguiado.
É preciso que os pacientes tomem cuidado ao ler esse tipo de pesquisa para que não pensem que já existe um tratamento do qual estão sendo privados. Resultados como esses são relevantes cientificamente, mas na prática clínica ainda não têm nenhuma influência.
O estudo ainda é preliminar e os resultados foram obtidos com apenas 17 pessoas, um número ainda muito pequeno. Com esse número, não é possível afirmar absolutamente nada.
A pesquisa, ainda assim, é importante. Precisamos avançar emestudos sobre novas formas de tratamentos menos tóxicos e mais eficazes. Os resultados são bons, mas é importante observar que somente uma pessoa teve o tumor reduzido. No entanto, a fase 1 de testes clínicos deve provar a segurança do tratamento, e foi o que os resultados demonstraram.
Estudos maiores e mais específicos são necessários para que essa pesquisa avance e suas conclusões finais sejam comparadas com o tratamento convencional. Só então essa tecnologia se tornaria, após ao menos dez anos, um medicamento disponível."
É preciso que os pacientes tomem cuidado ao ler esse tipo de pesquisa para que não pensem que já existe um tratamento do qual estão sendo privados. Resultados como esses são relevantes cientificamente, mas na prática clínica ainda não têm nenhuma influência.
O estudo ainda é preliminar e os resultados foram obtidos com apenas 17 pessoas, um número ainda muito pequeno. Com esse número, não é possível afirmar absolutamente nada.
A pesquisa, ainda assim, é importante. Precisamos avançar emestudos sobre novas formas de tratamentos menos tóxicos e mais eficazes. Os resultados são bons, mas é importante observar que somente uma pessoa teve o tumor reduzido. No entanto, a fase 1 de testes clínicos deve provar a segurança do tratamento, e foi o que os resultados demonstraram.
Estudos maiores e mais específicos são necessários para que essa pesquisa avance e suas conclusões finais sejam comparadas com o tratamento convencional. Só então essa tecnologia se tornaria, após ao menos dez anos, um medicamento disponível."
Fonte: http://veja.abril.com.br/noticia/saude/nanoparticulas-anticancer-sao-usadas-com-sucesso-em-teste-nos-eua
Autor da Postagem: Matheus Azambuja
terça-feira, 3 de abril de 2012
Guiados pelo brilho
Técnica que torna fluorescentes tecidos cancerosos é testada com sucesso
em pacientes com câncer de ovário. O método permitirá que os médicos visualizem
com maior precisão a extensão dos tumores em tempo real durante a cirurgia para
sua retirada.
Um método desenvolvido por uma equipe internacional de pesquisadores
promete melhorar o resultado das cirurgias para retirada de tumores de ovário.
Testada com sucesso em pacientes, a técnica fornece imagens fluorescentes das
células cancerosas durante a operação, em tempo real, permitindo a
identificação mais precisa da extensão do tumor.
O câncer ovariano é a doença ginecológica que mais mata no mundo
ocidental. Esse tipo de tumor não tem uma apresentação clínica que permita
distingui-lo em seus estágios iniciais, o que frequentemente resulta no
diagnóstico da doença em níveis avançados e se traduz em uma alta taxa de
mortalidade.
O tratamento mais efetivo consiste na cirurgia de retirada dos tumores
visíveis, seguida de quimioterapia. Mas, durante a operação, os médicos nem
sempre conseguem determinar facilmente os limites do tumor, e o crescimento das
células cancerosas não removidas pode levar à reincidência da doença.
O novo método para auxiliar a identificação dos tecidos malignos,
aplicado em pacientes com tumor epitelial de ovário, se baseia no fato de que cerca
de 90% desses tipos de câncer apresentam grande expressão de receptores de
ácido fólico (proteínas que permitem a interação dessa substância com os
mecanismos do metabolismo celular). Os pesquisadores então associaram ácido
fólico a marcadores fluorescentes, o que permitiu ‘realçar’ esses receptores –
e, consequentemente, as células cancerosas.
Outros estudos já tinham combinado ácido fólico a compostos
fluorescentes para mapear células tumorais. Mas esta é a primeira vez que a
técnica é testada em humanos.
A pesquisa, conduzida por pesquisadores da Holanda, da Alemanha e dos Estados
Unidos, foi publicada esta semana no site da
revista Nature Medicine.
O composto foi injetado em 10 pacientes entre 41 e 76 anos – sendo cinco
com tumor epitelial ovariano maligno e cinco com tumor ovariano benigno –
submetidas a cirurgia. Por meio de um sistema de câmeras especialmente
projetado, foi possível detectar a fluorescência em quatro pacientes com tumor
maligno. Na quinta paciente, não havia expressão dos receptores de ácido
fólico, o que impediu que as células cancerosas fossem marcadas. Os tumores
benignos e os tecidos normais não mostraram qualquer sinal de fluorescência.
Um dos autores do estudo, Gooitzen van Dam, da Universidade de Groningen
(Holanda), explica que, independentemente do estágio do câncer ovariano, cerca
de 10% das pacientes não apresentam superexpressão de receptores de ácido
fólico, o que inviabiliza a aplicação do método. “Para identificar as pacientes
que podem fazer uso da técnica, será preciso determinar a presença desses
receptores em tecidos tumorais extraídos antes da cirurgia”, diz.
Eficiente e precisa
Durante os testes, cinco cirurgiões identificaram independentemente os
tumores em imagens coloridas comuns e nas com florescência da mesma área. O
número de tumores detectados a partir das imagens fluorescentes (34, em média)
foi significativamente maior do que os identificados apenas com a observação
das imagens coloridas (sete, em média).
Segundo os cientistas, foi possível visualizar em tempo real os tumores por
um período de 2 a 8 horas após a injeção do composto de ácido fólico e
marcadores fluorescentes. O método não interferiu no procedimento cirúrgico
padrão e permitiu a retirada de tumores menores que 1 milímetro. Todos os
tecidos fluorescentes foram confirmados como malignos por meio de estudos
histopatológicos posteriores.
“A combinação de imagens precisas em tempo real com agentes
fluorescentes específicos para o tumor pode mudar o paradigma da cirurgia de
inspeção ao permitir a localização de lesões difíceis ou impossíveis de se
detectar pela observação visual ou pela palpação”, dizem os autores no artigo.
Além disso, eles acreditam que a técnica pode diminuir o número de
procedimentos cirúrgicos extensivos desnecessários e a mortalidade associada a eles.
Mas os pesquisadores ressaltam que são necessários estudos com um número
maior de pacientes para confirmar os dados e esclarecer a precisão, a
sensibilidade e a especificidade da técnica. Eles pretendem estender os testes
para uma rede de hospitais na Holanda e nos Estados Unidos para acelerar os
estudos clínicos e tornar a tecnologia disponível para a população.
“Nossa estimativa é de que sejam necessários cerca de dois anos até que
tenhamos uma resposta definitiva sobre o impacto da cirurgia e seu resultado”,
prevê Gooitzen van Dam.
Segundo ele, a técnica também tem grande potencial para uso em pacientes
com câncer de pulmão, que apresentam alta expressão de receptores de ácido
fólico em 70% dos casos. Como a superexpressão desses receptores varia muito
entre os diversos tipos de câncer, os pesquisadores estão agora desenvolvendo e
testando marcadores específicos para tumores de mama, pâncreas, próstata, entre
outros.
Amanda de Campos
Fonte: Ciência Hoje On-line
domingo, 1 de abril de 2012
Cientistas dão passo importante rumo a cérebro artificial
Modelo tridimensional do cérebro
Cientistas suecos anunciaram ter dado o primeiro passo para criar um modelo tridimensional do cérebro.
Um modelo artificial de cérebro poderia elevar todas as pesquisas neurocientíficas a um novo patamar, permitindo experiências que hoje só podem ser parcialmente simuladas em cérebros de cobaias, muito diferentes dos cérebros humanos.
O grupo, formado por cientistas das universidades Chalmers e Gotemburgo, conseguiu estimular a formação de redes neurais vivas e funcionais usando um substrato de nanocelulose, um material biológico.
"Foi um grande desafio. Mas, depois de muitos experimentos, nós descobrimos um método para fazer as células aderirem ao suporte dando-lhes uma maior carga positiva. Agora nós temos um método estável para cultivar neurônios sobre a nanocelulose," comemora o Dr. Paul Gatenholm, coordenador do estudo.
Células em 3D
Cultivar neurônios em laboratório é simples, mas eles crescem nos chamados discos de Petri, ou seja, somente formam redes neurais sobre o plano do recipiente de vidro.
Ocorre que o cérebro humano é tridimensional. Por isto os cientistas procuram desenvolver suportes capazes de permitir que os neurônios, assim como as células de outros órgãos, cresçam de forma parecida como o fazem no corpo.
No experimento agora realizado com sucesso pelos cientistas suecos, os neurônios desenvolveram interconexões, as chamadas sinapses, tão logo começaram a se desenvolver sobre o suporte de nanocelulose.
Os pesquisadores agora podem usar impulsos elétricos e substâncias químicas sinalizadoras para gerar impulsos nervosos, que se espalham pela rede neural da mesma maneira que o fazem no cérebro.
Eles também poderão estudar como as células nervosas reagem a outras moléculas, tais como fármacos, ou novas moléculas candidatas a medicamentos.
Cérebro artificial
Segundo a equipe, seu objetivo é desenvolver "cérebros artificiais", marcadamente simplificados, é claro, mas suficientes para estudar, por exemplo, a destruição das sinapses, que é um dos primeiros sinais do Mal de Alzheimer.
Na verdade, todas as pesquisas na área das neurociências poderão ter um grande impulso com este desenvolvimento.
E não apenas isso: segundo a equipe, hoje os programadores de computador usam as chamadas redes neurais para desenvolver softwares muito complexos. Esses programas chamam-se redes neurais porque têm seu funcionamento inspirado nas redes de neurônios do cérebro.
Com a possibilidade de construir redes neurais biológicas vivas, será possível criar o que eles chamam de biocomputadores, ou seja, computadores que funcionam não com base em processadores de silício, mas em células vivas.
O que é nanocelulose
O material utilizado pelos cientistas é a nanocelulose, uma celulose derivada das plantas, mas cujas fibras são muito pequenas, com dimensões medidas em nanômetros.
Uma fibra típica de nanocelulose tem entre 5 e 20 nanômetros de espessura e até 2.000 nanômetros (equivalente a 2 micrômetros, ou 0,002 milímetro) de comprimento.
A nanocelulose pode ser sintetizada por bactérias, que tecem uma estrutura muito densa de fibras de celulose.
Ela também pode ser isolada pelo processamento da polpa de madeira em um homogeneizador de alta pressão.
Células nervosas crescendo sobre uma estrutura tridimensional de nanocelulose, o primeiro passo para criar o que os cientistas chamam de "cérebro artificial". [Imagem: Philip Krantz/Chalmers University].
Fonte: http://www.diariodasaude.com.br/news.php?article=cerebro-artificial-neuronios-nanocelulose&id=7560
Postagem: Ana Paolla Protachevicz.
Nanotecnologia
O que é nanotecnologia?
É a
ciência que projeta e desenvolve produtos e processos tecnológicos a partir de
partículas minúsculas, na escala de nanômetros (1 milímetro é igual a 1 milhão
de nanos), como os átomos.Com o uso de técnicas e ferramentas específicas, esse
profissional é capaz de organizar átomos e moléculas a fim de dar origem a um
produto, processo ou novo material. Atua na pesquisa e no desenvolvimento de
diversas áreas, desde a medicina, passando pela química, biológica, têxtil, até
computação e tecnologia.
Historia
e Objetivo
Aquando
Eric Drexler (direita) popularizou a palavra "nanotecnologia", nos
anos 80, referia-se à construção de máquinas à escala molecular, de apenas uns
nanómetros de tamanho: motores, braços de robô, inclusive computadores
inteiros, muito menores do que uma célula.
Fala-se com frequência da nanotecnologia como
uma "tecnologia de objetivos gerais". Isso se deve ao fato de que na
sua fase madura terá um impacto significativo na maioria de indústrias e áreas
da sociedade. Melhorará os sistemas de construção e possibilitará a fabricação
de produtos mais duráveis, limpos, seguros e inteligentes, tanto para a casa,
como para as comunicações, os transportes, a agricultura e a indústria em
geral.
Imaginem-se
dispositivos médicos com capacidade para circular na corrente sanguínea e
detectar e reparar células cancerígenas antes que se estendam.
Imagine-se
o que seria "encolher" todo o conteúdo da Biblioteca Nacional num
dispositivo do tamanho de um cubo de açúcar. Ou então desenvolver materiais dez
vezes mais resistentes que o aço e com apenas uma fracção do peso.
A
base da nanotecnologia é o fato de que não só oferece produtos aperfeiçoados
como também uma ampla variedade de melhores meios de produção. Um computador
pode fazer cópias de ficheiros de dados; basicamente tantas cópias como
quisermos a um custo muito reduzido ou mesmo inexistente. Pode ser apenas uma
questão de tempo até que a fabricação de produtos se torne tão barata como a
cópia de ficheiros.
Aqui reside a verdadeira importância da
nanotecnologia, por isso é vista às vezes como " a próxima revolução
industrial ".
A nanotecnologia não só permitiria a fabricação de
produtos de alta qualidade a um custo muito reduzido como também a criação de
novas nanofábricas com o mesmo custo e velocidade. É mesmo por essa capacidade
única de auto reprodução (para além da biologia, evidentemente) pelo que a
nanotecnologia se denomina " tecnologia exponencial ". Refere-se a um
sistema de fabricação que, por sua vez, seria capaz de produzir mais sistemas
de fabricação-fábricas que produzem outras fábricas- de maneira rápida, barata
e limpa.
Fonte:
http://guiadoestudante.abril.com.br/profissoes/ciencias-exatas-informatica/nanotecnologia-602529.shtml
e
http://guiadoestudante.abril.com.br/profissoes/ciencias-exatas-informatica/nanotecnologia-602529.shtml
Postagem: Bruna de Oliveira
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